A adesão à agenda ESG tem impactado positivamente o ecossistema brasileiro de startups.

Impulsionadas pela necessidade que o segmento empresarial tem de correr atrás do prejuízo e buscar soluções para se adaptar às boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, as empresas inovadoras que nasceram com propósito de gerar impacto social vêm ganhando terreno.

Na prática, elas são parceiras preferenciais de negócios que conseguem tirar do papel ideias que resolvem as “dores dos clientes” nos três pilares do acrônimo.

Uma firme demonstração de que o ESG veio para ficar – e que não se trata apenas de uma tendência ou modismo passageiro -, está no próprio aumento do número de startups que atuam fornecendo algum produto, serviço ou solução tecnológica em ao menos uma das três pontas.

Segundo levantamento da plataforma Distrito, existem, atualmente, 816 negócios no País com essa característica. Essas empresas formam uma espécie de ecossistema ESG Tech. Há pouco mais de uma década, em 2010, eram apenas 139.

“Quando olhamos para a quantidade que temos dentro do Hub do Distrito, que são mais de 15 mil aqui no Brasil, ESG é uma espécie de recorte horizontal. Você não tem uma vertical de ESG techs. O que temos são startups que possuem sua vertical e muitas podem ser classificadas como capazes de atender às necessidades ambientais, sociais e de governança”, define Bruno Pina, CIO do Distrito.

 

Bruno Pina

CIO do Distrito

“Quando olhamos para a quantidade que temos dentro do Hub do Distrito, que são mais de 15 mil aqui no Brasil, ESG é uma espécie de recorte horizontal. Você não tem uma vertical de ESG techs. O que temos são startups que possuem sua vertical e muitas podem ser classificadas como capazes de atender às necessidades ambientais, sociais e de governança”, define Bruno Pina, CIE do Distrito.

 

Bruno Pina

CIE do Distrito

Energia limpa e acessível

 

Entre os segmentos de startups que têm sido mais demandados com a popularização do ESG está o de energias limpas.

Um exemplo disso é a Holu, que utiliza uma plataforma de origem norueguesa para facilitar o processo de adesão à energia solar.   

A startup atua como um marketplace cujo objetivo é reunir fornecedores para quem quer trocar a fatura mensal da conta de luz pela possibilidade de gerar a própria energia. Pela ferramenta tecnológica, é possível, por exemplo, escolher painéis, componentes, prestadores de serviços e, além disso, buscar recursos para financiar a operação.

Consumidores residenciais e pequenas e médias empresas são o foco do negócio, segundo Rodrigo Freire, CEO e cofundador da Holu. 

“A plataforma simplifica muito a questão da engenharia dos projetos, o que torna aquilo mais palatável para quem não tem tempo ou sofisticação técnica para se aprofundar no tema”, diz.

 

Rodrigo Freire

CEO e cofundador da Holu

“A plataforma simplifica muito a questão da engenharia dos projetos, o que torna aquilo mais palatável para quem não tem tempo ou sofisticação técnica para se aprofundar no tema”, diz.

 

Rodrigo Freire

CEO e cofundador da Holu

Tecnologia blockchain na logística reversa

 

Outro tipo de serviço oferecido por startups da cadeia ESG, e que desperta cada vez mais o interesse nas empresas contratantes, é o de logística reversa.

   

Além da obrigatoriedade de cumprir normas sobre o assunto, as organizações têm outros motivos para avançar nesse ponto. “Com a pandemia, a relação dos clientes com as marcas ganhou uma nova dimensão. O comércio eletrônico cresceu muito e as marcas, mais do que nunca, entram na casa das pessoas. Neutralizar o impacto das embalagens que estampam essas marcas e demonstrar com transparência isso aos consumidores é nosso negócio”, diz Renato Paquet, CEO e fundador da Polen.

A Polen é uma startup que utiliza a tecnologia blockchain para certificar e tornar rastreável o caminho feito pelas embalagens, do processo fabril ao descarte. Cada quilo de papel levado por catadores para reciclagem gera um token.

É similar à compensação de carbono. Mas, nesse caso, o mecanismo é usado para cumprir as metas de logística reversa e demonstrar que as companhias estão não apenas falando, mas também praticando o correto do ponto de vista ambiental. 

Logística reversa e gestão de resíduos são duas das dores dos clientes para as quais a Trashin oferece soluções. A startup colocou em prática, entre outros projetos, o que cuida do descarte e transformação de chinelos Havaianas em outros diversos produtos.

“Esse projeto, que surgiu aqui no Brasil, está sendo levado pela empresa para várias outras regiões do mundo, como Estados Unidos, Europa e Oceania”, afirma Renan Vargas, um dos fundadores da cleantech.

A empresa também foi escolhida para atuar na reciclagem de resíduos do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

 

Renan Vargas

Cofundador da Cleantech

“Esse projeto, que surgiu aqui no Brasil, está sendo levado pela empresa para várias outras regiões do mundo, como Estados Unidos, Europa e Oceania”, afirma Renan Vargas, um dos fundadores da cleantech.

A empresa também foi escolhida para atuar na reciclagem de resíduos do Parque Ibirapuera, em São Paulo.

 

Renan Vargas

Cofundador da Cleantech

Inteligência Artificial que traz inclusão

 

O S, do pilar Social, também vem, ainda que de forma mais lenta, movimentando os negócios de startups.

  

Nesse sentido, o tema diversidade, em sua forma mais ampla, está na ordem do dia. Empresas perceberam que, dentro ou fora de casa, no tratamento com funcionários ou clientes, é preciso avançar.

Ou fazem isso ou perdem dinheiro e arranham a reputação.   

Nesse sentido, as social techs, startups que combinam o uso de tecnologia com a necessidade de gerar impacto, vêm marcando território.

Uma delas, a Hand Talk, de Alagoas, nasceu para resolver um antigo problema da comunidade surda: a dificuldade que a população com deficiência auditiva tinha no acesso a sites de empresas.

Utilizando inteligência artificial (IA), a startup criou dois tradutores virtuais 3D. Eles traduzem português para a Língua Brasileira de Sinais em tempo real e são usados em sites de comércio eletrônico.

A Hand Talks oferece ainda um dicionário de bolso, num aplicativo gratuito, que pode ser usado por qualquer pessoa.

  

Atualmente, a startup tem como clientes, entre outros, Magalu, Samsung, Claro, Americanas, Boticário e Ambev.

“Por bem ou por mal, as organizações estão indo por onde os consumidores querem. Imagina só a situação: eu tenho um e-commerce que se preocupa com os surdos-mudos e outro que não. As pessoas vão enxergar melhor a que trata melhor os surdos. Isso para ficar só numa comunidade”, diz Ronaldo Tenório, CEO da startup. 

Transporte sustentável

 

Outra frente que tem movimentado startups do ecossistema ESG é a de transporte. Em tempos de emergência climática, empresas buscam prestadores de serviços que façam entregas usando veículos menos poluentes ou, em alguns casos, até mesmo que não poluam.

É exatamente nesse nicho que atua a Carbono Zero, cujas entregas são feitas utilizando bicicletas ou veículos elétricos. 

“Quando você troca uma moto, que deixa quatro toneladas de gás carbônico por ano na atmosfera, por uma bicicleta ou scooter elétrica, deixa de emitir essa quantidade de gases de efeito estufa de maneira imediata. Então, quando você contrata um serviço desses, o resultado vem na hora. Não depende de plantar uma árvore e compensar”, compara Nelson Pinto de Carvalho, gestor de negócios da empresa.

A startup atende de pequenas entregas ou serviços, como levar e buscar um documento no cartório, às grandes companhias que atuam no comércio eletrônico.

 

Nelson Pinto de Carvalho

Gestor de negócios Carbono Zero

É exatamente nesse nicho que atua a Carbono Zero, cujas entregas são feitas utilizando bicicletas ou veículos elétricos. 

“Quando você troca uma moto, que deixa quatro toneladas de gás carbônico por ano na atmosfera, por uma bicicleta ou scooter elétrica, deixa de emitir essa quantidade de gases de efeito estufa de maneira imediata. Então, quando você contrata um serviço desses, o resultado vem na hora. Não depende de plantar uma árvore e compensar”, compara Nelson Pinto de Carvalho, gestor de negócios da empresa.

A startup atende de pequenas entregas ou serviços, como levar e buscar um documento no cartório, às grandes companhias que atuam no comércio eletrônico.

 

Nelson Pinto de Carvalho

Gestor de negócios Carbono Zero

São todos exemplos de que os investimentos em sustentabilidade das grandes empresas não só atendem a demandas de consumidores e governos por transparência, respeito ao meio ambiente e igualdade social. Eles também geram empregos e negócios em um ecossistema ESG cada vez maior e mais sofisticado.

Ecossistema ESG TechS

Fonte: Distrito – Levantamento Ecossistema ESGTech

US$ 1,2 BI

US$ 1,2 BI

Investimentos desde 2012

28,5 mil

28,5 mil

Funcionários empregados

US$ 937 MI

US$ 937 MI

Investimentos nos últimos dois anos

816

816

 Startups

25

25

Fusões e aquisições desde 2012

115

115

Startups com investimento recebido

Texto: Luciano Feltrin

Design: Rodrigo Hamam 

Editor-chefe: Arnaldo Comin

Publisher: Ricardo Natale

Patrocínio: Ambipar

Imagens: StockPhotos