Os últimos meses foram decisivos para muitas empresas, que tiveram que mudar seus canais de vendas, colocar equipes em trabalho remoto ou criar produtos e serviços para atender às novas necessidades de seus clientes. Muitas dessas mudanças só foram possíveis com a computação em nuvem. Quem já trabalhava na nuvem ganhou agilidade. Conseguiu migrar suas operações de um escritório centralizado para a casa dos colaboradores, sem prejuízo da qualidade das entregas. Em alguns casos, o desafio não era de tecnologia, mas de cultura. A necessidade deu o empurrão que faltava para essa transformação.

 

Mas para capturar todos os benefícios da nuvem, é preciso envolver na migração todas as áreas da empresa, não apenas o setor de TI. Cloud First é um modo de pensar o negócio como um todo.

 

Para discutir os desafios, as vantagens e as oportunidades da migração para a nuvem, a Accenture propôs um encontro organizado pelo Experience Club.

Cloud é mais do que uma ferramenta de TI

Pesquisa da Accenture com empresas que já usam a computação em nuvem mostra que os melhores resultados foram obtidos por aquelas que usam intensamente a nuvem, em todas as áreas do negócio, não apenas como uma ferramenta de TI. A nuvem pode transformar o modo de fazer negócio, da conexão entre os colaboradores ao desenvolvimento de novos produtos, acelerando do jurídico à gestão financeira.

 

Pandemia acelerou a transformação digital

Empresas que resistiam a mudar foram forçadas a isso durante a pandemia. Muitas perceberam os benefícios de ter todos os seus dados à mão, em qualquer lugar, em vez de trancados nas instalações da empresa. Os dados estão à mão, onde você estiver.

 

Desafio de qualificar os profissionais

Ter profissionais qualificados no número necessário para concretizar essa transformação digital é o grande desafio do mercado brasileiro hoje. A escassez de talentos já existia, mas ficou mais agravada com o crescimento do mercado e com o home office, que facilitou a disputa pelos profissionais brasileiros também por parte das empresas estrangeiras.

1. Mudança profunda nos negócios

A computação em nuvem não é uma novidade para as empresas. Ela é usada há muito tempo em e-mails baseados em web ou aplicativos de telefone. Mas essas ferramentas não mudaram radicalmente as organizações, porque elas só eram usadas em áreas específicas, não estavam no core do negócio. A computação em nuvem permite mudanças estruturais no negócio, trazendo maior agilidade no desenvolvimento de novos produtos, expansão ou encolhimento de acordo com a demanda, evitando gargalos ou desperdícios. Essas mudanças já estavam em curso, e a previsão era de que, na próxima década, o uso da nuvem pelas organizações aumentaria de 25% para 80%. A pandemia tornou evidentes as vantagens de ter as informações da empresa à mão, em qualquer lugar, não apenas nas instalações.

A própria Accenture percebeu que as mudanças do mercado necessitavam de uma visão holística para cloud. O Accenture Cloud First, com investimento de US$ 3 bilhões em três anos, veio para ajudar as empresas a se prepararem para migrar para a nuvem. Entre os principais pontos do programa estão a aquisição de empresas ligadas a cloud, para aumentar a expertise interna, o treinamento de 70 mil profissionais, para que eles estejam preparados a ajudar na transformação digital dos clientes, e o auxílio aos clientes nos investimentos que eles tiverem que fazer em suas operações de cloud, incluindo negociações diretas entre CFOs, para diluir os investimentos num prazo que seja viável para o caixa das empresas. A Accenture também vai ajudar no treinamento dos profissionais dos clientes e tem equipes capacitadas para atuar dentro do negócio do cliente, não apenas na área de TI.

“Criamos a Cloud First porque sentimos que precisávamos de uma visão holística para a cloud. E criamos no meio da pandemia porque a mudança tinha que ser feita agora. A cloud permite maior elasticidade, resposta rápida e criar novos produtos rapidamente. Abre novas oportunidades de negócios.”

2. Mudança cultural

A pandemia trouxe novas necessidades tanto para o funcionamento interno das empresas quanto para o consumidor, levando ao desenvolvimento de novos produtos e serviços. Muitas empresas já tinham todo o ferramental tecnológico necessário para operar em cloud, mas havia uma resistência cultural em mudar processos. É este o caso da Tim, como contou Leonardo Capdeville, CTIO da TIM Brasil. Com a quarentena, em março, em apenas três dias a empresa colocou seus 10 mil profissionais em home office. E tudo continuou funcionando normalmente. “Foi uma mudança muito brutal, mas mostrou que a gente tinha uma série de oportunidades que já poderíamos ter alavancado, usar uma série de ferramentas e que a gente não usava por causa da cultura”, diz ele.

“O maior inimigo da digitalização é a cultura inerente das empresas. A única coisa que consegue superar a cultura é  a necessidade. Quando a necessidade entrou por uma porta a cultura teve que dar espaço e sair pela outra.”

3. Desenvolvimento de novos produtos

A estrutura em nuvem facilita o desenvolvimento de novos produtos e serviços, sem a necessidade de que as pessoas estejam fisicamente no mesmo espaço. A Natura &Co, por exemplo, criou novos produtos digitais e novas formas de venda e entrega, sempre pensando em preservar a renda das consultoras, impossibilitadas de interagir com sua rede de contatos como antes. Com a nuvem, a empresa acelerou a estratégia de digitalização das 4,2 milhões de consultoras e representantes Avon e Natura na América Latina. Criou ainda soluções para pagamentos digitais, passou a entregar diretamente para os consumidores as vendas feitas pelas consultoras e lançou produtos puramente digitais, como experiências de meditação e revistas digitais, que passaram a ser compartilhadas pelo WhatsApp. Na marca The Body Shop, que tinha uma rede de varejo, as vendas migraram para o e-commerce, em três meses, além de novos modelos de vendas digitais também na loja física. “A nuvem foi uma condição básica. Sem a nuvem não conseguiríamos fazer isso de forma ágil”, diz Renata.

“Para  a Natura não é cloud first.

Não estamos lá ainda, mas a nossa ambição é que seja cloud only.”

4. Impacto do trabalho remoto permanente

Depois da migração bem-sucedida para o trabalho remoto, a Tim já decidiu que o seu call center próprio continuará em home office de forma permanente. Várias empresas estão adotando a mesma medida, algumas delas transformando os escritórios em hubs de conexão, com capacidade reduzida em relação ao que tinham antes da pandemia. Para isso, precisam da operação na nuvem. O fechamento dos escritórios também levou a uma mudança na demanda de serviços de TI. Embora o volume total do serviço móvel tenha permanecido inalterado, ele migrou das regiões corporativas para as zonas residenciais. “Tivemos que adequar a rede para esta nova realidade”, conta Leonardo. O uso da telefonia para reuniões também mudou as demandas do cliente: em vez de velocidade, a latência se tornou mais importante, para garantir a estabilidade do sinal das reuniões. Outro ajuste na rede. Por outro lado, o uso do serviço fixo na Tim cresceu 40% desde o início da pandemia.

5. 5G é a nova fronteira

O serviço de telefone se tornou, ainda mais, um gênero de primeira necessidade. Foi ele que permitiu que as pessoas trabalhassem, estudassem, consumissem e se conectassem com o mundo no período em que ficaram em casa. Mas as possibilidades de uso estão apenas começando e vão dar um salto, por exemplo, em educação a distância, com a tecnologia 5G. O leilão que está previsto para o primeiro semestre de 2021 deve trazer uma nova fronteira tecnológica para o mercado brasileiro. Diante de todas as dificuldades eu tenho uma visão otimista, diz o CTIO da Tim Brasil. Ele diz que a Embratel está fazendo um leilão bem equilibrado e que os desafios, para a telefonia, são aumentar o número de antenas e levar fibra ótica para essas antenas.

A menor latência do 5G também vai demandar novas soluções de cloud edge para, o que significa, ao mesmo tempo, desafios e oportunidades para novos usos.  A CTO da Natura também vê com otimismo a nova tecnologia. “O 5G é um mar de oportunidades. Quando a gente olha para as comunidades que produzem matéria-prima, diversidade, sustentabilidade. Vamos precisar de tecnologia para conectar essas pontas, para usar em toda a cadeia”, diz Renata Marques.

“Estamos querendo ir muito além do que é a infraestrutura, do lift and shift, do que está todo mundo fazendo. E o 5G vai trazer muitas possibilidades.”

6. Oportunidades na retomada econômica

Depois dos desafios deste ano, o momento é de recuperação e de oportunidades para as empresas que estiverem preparadas para atender às novas demandas do mercado. Paulo Ossamu estima que nos próximos três anos 80% das empresas estarão transformando seus sistemas, migrando seus legados, para aproveitar os benefícios da tecnologia, com uso mais intenso de Inteligência Artificial, machine learning e, no futuro, as oportunidades que virão com a adoção do 5G. E a América Latina é onde este movimento é mais forte: enquanto o mercado de nuvem deve crescer de 15% a 20% no mundo no próximo ano, na América Latina a previsão é uma expansão de 36%. Uma pesquisa da Accenture na América Latina mostra que 90% das empresas já adotaram a nuvem, mas boa parte não usa ainda com a profundidade que poderia para realmente transformar o seu negócio. “Agora é o momento de fazer a grande adoção”, diz Ossamu.

“A gente vê um cenário de recuperação econômica muito grande. Isso vai colocar pressão muito maior na demanda. Olhando para a frente, o desafio vão ser os talentos, as pessoas. Esse é o grande gargalo. Por isso boa parte dos investimentos a Accenture vai ser pegar os 15 mil colaboradores e recapacitar essas pessoas para a nuvem.”

Cloud only

Cloud first é o presente. Mas as empresas que estão mais avançadas neste processo já estão caminhando para o cloud only.

 

5G será um divisor de águas

A tecnologia 5G abrirá novas oportunidades de uso da cloud, criando novos negócios em áreas como educação, com realidade virtual, realidade aumentada, cadeia de fornecedores, serviços para o consumidor.

 

Transformação cultural

Os benefícios da computação em nuvem vão muito além da área de TI. E são muito maiores quando todos os processos são refeitos para uma maior rapidez e agilidade.

 

Mais segurança

A migração da área bancária para a cloud reforça a percepção de que segurança é um dos pontos fortes da operação em nuvem.

 

Talentos

O grande desafio no mercado brasileiro vai ser a formação e retenção de talentos. O trabalho remoto ampliou as possibilidades de contratação em outras praças e também aumentou a disputa pelos profissionais brasileiros.